Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse. Nietzsche

Bom senso e Respeito
Isi Golfetto
Não há como controlar as coisas que acontecem, mas se pode escolher como reagir diante delas.
A vida é curta... não a encurte ainda mais
com overdose de insensatez.
Dizem as más línguas... as boas preferem o silêncio.
Dizem, também, que na tecla certa você pode dizer qualquer coisa. Na errada, nada. A parte delicada é escolher qual tecla digitar.
Vivemos tempos difíceis onde a raiva e a intolerância estão presentes em todos os espaços e conviver com convicções diferentes se tornou um grande desafio.
Percebemos isso, muito particularmente, com um público que se ramificou através da Internet e redes sociais, que blindados por uma tela postam tudo contra todos.
Em contextos onde opiniões divergentes são compartilhadas e discutidas, o que impera são egos inflamados, com um pensar e falar tão agressivos tornando os diálogos cada vez mais tensos.
A máxima desse público é... discordo do que você diz e defenderei até a morte a minha opinião.
Do jeito que o espírito da tolerância entre os intolerantes está caminhando, daqui a pouco não haverá mais nada para intolerar.
Situações tensas sempre irão acontecer. Não há como evitar.
Eu participava de um grupo de estudos online, quando um dos integrantes nos surpreendeu com a notícia de que um candidato à presidência, que fazia o seu discurso em Minas Gerais, havia sofrido um atentado e estava sendo removido para o hospital em condições críticas.
Um pessoal do grupo, pensando que fosse brincadeira, começou a satirizar.
Essa reação deixou o rapaz exaltado.
Em segundos, como uma Ferrari, fomos de 0 a 100. Os ânimos se alteraram e começou uma acirrada discussão sobre política. Precisei intervir para que a discussão não tomasse maiores proporções e pudesse trazer o grupo de volta para o foco.
Gerenciar conflitos dentro das redes sociais ou fora delas sempre será uma tarefa necessária. Uma informação mal compreendida aqui, um tom de voz mais agressivo ali, um olhar diferente acolá são fatores que podem comprometer a harmonia e a produtividade do grupo.
Qual a nossa responsabilidade diante desse cenário? O que fazer quando os ânimos se exaltam? Como ter uma abordagem inteligente com indivíduos emocionalmente alterados?
Seguem sete passos para ser bem-sucedido ao gerenciar conflitos. O quarto passo é fundamental.
Procure entender o que aconteceu. 
Compreender os fatos permite saber a real gravidade da situação para, então, decidir as melhores ações antes de se envolver na questão.
Reconheça o que pode e o que não pode controlar. 
Diante de situações conflitantes há muita coisa que não pode ser controlada. A única coisa que vai estar sob o seu controle é como você vai reagir. Tentar controlar a pessoa agressiva é perder tempo. Na mente dela o problema é você e nada do que você fizer, provar ou falar vai convencê-la do contrário. Em um momento crítico a coisa sensata é tentar manter o domínio sobre as suas próprias emoções ou tentar mudar de assunto.
Evite o confronto. 
Fogo não se apaga com fogo. Com os ânimos alterados ninguém vai estar em condições de pensar e argumentar positivamente. Procure perceber a cena por outro ângulo, como um observador. De que maneira esse espectador enxergaria a situação? O que ele faria de diferente? Que atitudes teria? Essa troca de lugar vai fazer você ficar menos tenso e menos preocupado e vai perceber o problema com mais objetividade, evitando uma possível decisão precipitada.
Mantenha a calma. 
Uma das maneiras mais rápidas e eficientes de se acalmar é assumir o controle da própria respiração. Respire fundo. Inspire e expire apenas pelo nariz. Novamente, inspire e expire bem devagar. Enquanto respira, feche os olhos e mantenha o foco apenas na sua respiração. Repita esse procedimento 3 vezes, bem devagar.
Relaxado você consegue pensar melhor, controlar o tom da sua voz, falar com serenidade e mostrar uma postura confiante. O controle sobre si mesmo ainda permite a você exercer o poder de modificar uma situação tensa. Treine essa técnica de respiração e comprove. Compartilhe essa técnica com sua equipe e amigos. Segue o link do vídeo - 15 minutos.

Exercício de respiração e relaxamento - acalma a mente e controla o estresse.

Foco na solução do problema. 
Pessoas agressivas, intimidadoras, manipuladoras gostam de apontar o que está errado na maneira que você faz as coisas para que você se sinta desconfortável ou inadequado, em vez de focar em como resolver o problema. Não caia nessa armadilha. Nem fique na defensiva. Mude a dinâmica. Questione o seu agressor com perguntas construtivas e investigativas. Veja como.
Seu agressor. Sua proposta não está nem perto do que eu preciso.
Sua resposta. Não entendo. Seja mais específico.  /  O que, exatamente, você quer dizer?
Mudar o holofote para o seu agressor pode ajudar a neutralizar a influência indevida sobre você. E, acima de tudo, você mantem o foco em dados e fatos relevantes para solucionar o problema.
Seja empático. 
Quando você se coloca no lugar do outro, não significa justificar ou permitir que essa pessoa continue sendo agressiva, controladora, intolerante. Nada justifica um comportamento inaceitável. Ao contrário, você passa a exercer o seu lado altruísta e como um Raio X passa a investigar dentro da pessoa as causas que dão o start para tais comportamentos... o que existe na vida dessa pessoa que a deixa tão suscetível e explosiva? Em quais situações ela fica mais vulnerável? É possível que essa atitude seja uma reação para se proteger ou proteger algo ou alguém? O que ela tem a perder/ganhar com esse comportamento? Como você se sentiria se estivesse em tal situação?
Outro maneira de analisar esse comportamento é completando a frase - não deve ser fácil...
Um parceiro controlador. Não deve ser fácil ter crescido em uma família onde foi dito como pensar e agir.
Um gerente arrogante. Não deve ser fácil ser tão cobrado por seus superiores.
Um colega agressivo. Não deve ser fácil vir de um ambiente onde todos foram forçados a competir.
Quando você cria empatia tem grandes possibilidades de ajudar a pessoa. Por outro lado, você neutraliza os efeitos daquele comportamento em sua vida. Você fica imune às opiniões e ações do outro e não é mais vítima de sofrimentos desnecessários. Você passa a entender que, o que o outro faz e diz é uma projeção da sua própria realidade e nada, na-da tem a ver com você.
Concorde em discordar. 
Ninguém, jamais, será igual a você. Ninguém irá pensar, exatamente, como você. Ninguém irá concordar, completamente, com você. Da mesma forma que você não irá concordar, ser ou pensar, exatamente, como o outro. Discorde, debata e se não houver consenso concorde em discordar. Defenda a liberdade de expressar a sua opinião e manter intacta as suas convicções, mas dê ao outro esse mesmo privilégio que exige para si. E, principalmente, escolha preservar as suas amizades.
Posso não concordar com aquilo que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.
Feche os olhos. Respire fundo. Relaxe. Você vai manter atitudes positivas e criar soluções pacíficas.
Agradeço a sua agradável companhia até aqui.
Grande e forte abraço
Isi

2 comentários:

  1. Adorei o texto. Bem adequado e escrito sobre o momento crítico que estamos vivendo.
    "Do jeito que o espírito da tolerância entre os intolerantes está caminhando, daqui a pouco não haverá mais nada para intolerar".

    Às vezes eu penso que se essas pessoas não estivessem atrás da tela me dariam um tiro por discordar da opinião delas.

    Intolerância de todos os lados.

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    1. Agradeço o seu comentário. Como você mencionou - fazem de tudo por causa de uma opinião, e baseada / fundamentada em que? Assim, eles vão distraindo uma nação inteira com esse circo. tirando todos do foco que é a corrupção... e o povo vai, infelizmente, continuar deitado eternamente em berço - não mais tão esplendido.

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