A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente. Soren Kierkergaard

Te encontro do outro lado das estrelas
Isi Golfetto
A morte faz parte da vida. Viver significa que, em algum momento, vamos presenciar a perda de alguém que amamos. Mesmo sabendo que essa é a realidade nada nos prepara para essa experiência tão dolorosa.
As suas asas estavam prontas...
o meu coração... não!
Não é fácil falar sobre a morte.
Não fomos preparados para perder... muito menos perder quem amamos.
Cada um de nós que passou por essa experiência sabe que não há fórmula alguma que possa ajudar a amenizar esse sofrimento, nem palavras que consolem ou confortem nesse momento incompreensível.
A morte nos paralisa, nos desorganiza, nos desorienta física, emocional e espiritualmente.
A princípio, chegamos a acreditar que tudo não passa de um pesadelo... depois, nos damos conta de que nada mais será como antes, aquela pessoa não vai mais estar em nossa vida e bate aquele desespero... então, começamos a sentir aquela sensação insuportável de vazio. Faltam pensamentos lógicos e sobram emoções incontroláveis, uma dor que aperta o peito, uma tristeza sem medida, uma raiva incontida e um choro inconsolável.
Esse sofrimento que experimentamos não é uma desordem mental, não é uma doença, muito menos um sinal de fraqueza. É o preço que pagamos por ter amado alguém de uma forma tão inexplicável e que se foi.
Para quem entende esse sofrimento, nenhuma explicação é necessária... para quem não entende, nenhuma explicação é possível.
Assim, começamos a travar uma batalha contra um sofrimento imprevisível.
Esse sofrimento não é uma linha reta que vai desaparecer aos poucos no horizonte ou que tem a sua pior fase no começo. Não é assim. A dor da perda é uma linha cheia de curvas com altos e baixos, que em alguns momentos diminui, e em outros, quando você menos espera vai estar lá. De fato, haverá momentos que esse ciclo vai parecer que jamais terá fim.
Pior de tudo é que não existem atalhos para encurtar esse sofrimento, nem remédio para melhorar essa dor. A única cura para o sofrimento é se dar um tempo sofrendo. Para algumas pessoas é um período longo, intenso e insuportável, muito mais do que para outros.
Superar essa dor é um processo.
É uma caminhada solitária. Algumas pessoas podem estar ao seu lado para te apoiar, te consolar, te ouvir... mas, você vai precisar andar sozinho pelo seu próprio caminho, no seu próprio ritmo, com a sua dor, a sua raiva, a sua perda amarga. 
Muitas vezes, vai parecer que estamos vivendo duas vidas... uma onde demonstramos que está tudo bem, voltamos a sorrir, a enxergar o brilho do sol e notar que as flores voltaram a desabrochar... e a outra no silêncio da noite, onde as lágrimas escorrem de tanta saudade e o coração arde e grita de dor.
Contudo, chegará um momento em que você vai precisar recomeçar, ter a sua própria vida de volta, avançar passo a passo em sua nova caminhada sem essa pessoa ao seu lado.
Tenha sempre amigos por perto. Amigos com quem possa contar. Se precisar procure a ajuda de um profissional. Acima de tudo, seja gentil consigo mesmo. Cuide-se.
Acredite, você vai conseguir seguir em frente e fazer o impossível - encontrar a sua paz - porque o inimaginável você já conseguiu.
Com amor,
Isi

2 comentários:

  1. Afinal encontrei em palavras a expressão da minha dor! Ainda preciso aprender a lidar com a saudade...

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  2. Agradeço o seu comentário. Graças aos céus que as palavras do texto puderam te alcançar! Essa saudade que dói no fundo da alma, gradualmente vai se transformando em doces e alegres memórias dos momentos inesquecíveis que foram vividos juntos. Um grande abraço.

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