A única maneira de fazer algo grandioso é ter paixão pelo que faz. Isi Golfetto

Fabergé e os Ovos de Páscoa Imperial
Isi Golfetto
Mais conhecido por sua coleção de Ovos de Páscoa Imperial, criados exclusivamente para os últimos czares russos, Fabergé alcançou o ápice da excelência com essas joias nas décadas douradas entre 1885 e 1917. Uma extraordinária história de obras-primas que sobreviveram ao catastrófico fim de uma dinastia.
Quando mentes brilhantes, paixão e talentos se unem...
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Primor, beleza, exuberância, luxo, glamour, ostentação… estes adjetivos figuram entre os atributos quando o objetivo é tentar descrever os magníficos Ovos de Páscoa Fabergé.
A fascinante história dos ovos Fabergé, marcados pelo luxo e pela tragédia pode ser recontada através dos 52 ovos de Páscoa, um legado cultural deixado por Fabergé para a humanidade que até hoje encanta o mundo. Obras-primas minuciosamente confeccionadas com ouro, pedras preciosas e outros materiais nobres, essas joias se destacam entre os objetos mais valiosos do mundo, avaliados em milhões de dólares. 
A Tradição dos Ovos de Páscoa
A Páscoa era uma data muito especial no calendário da Igreja Ortodoxa Russa. Todos se cumprimentavam com 3 beijinhos, recordavam a ressurreição de Cristo e se presenteavam com ovos que simbolizava uma nova vida que surgia e o renascer da esperança.
Os ovos trocados pelas pessoas do povo eram ovos de galinha decorados. Já os ovos que os membros da família real e os nobres da corte se presenteavam eram feitos de ouro, prata, decorados com esmalte e pedras preciosas.
Até que o czar Alexandre III conheceu o joalheiro Fabergé e decidiu inovar.
Quem foi Fabergé
Peter Carl Fabergé foi um joalheiro russo de origem franco-dinamarquesa. Nasceu em 18/05/1846, em São Petersburgo. Filho de Gustav Fabergé, aos 24 anos, herdou o negócio de joias que seu pai havia estabelecido em São Petersburgo, em 1842.
O talento de Fabergé. Fabergé foi um dos maiores joalheiros de todos os tempos. Ficou famoso pela extraordinária qualidade e beleza de seus trabalhos, em especial pelos exuberantes Ovos de Páscoa Imperial recheados de lindas e delicadas surpresas. Ganhou reputação internacional, sendo altamente considerado por colecionadores em todo o mundo.
Sua Preparação Profissional
Fabergé estudou nas melhores escolas de São Petersburgo e passava longas horas na oficina aprendendo os fundamentos da fabricação de joias com o funcionário sênior de seu pai, o mestre finlandês Hiskias Pendin. 
Mais tarde, teve a oportunidade de ampliar e aprimorar seus conhecimentos na Inglaterra, França, Alemanha e Itália. Visitou joalherias desses países, adquiriu novas técnicas e aprendeu a desenvolver projetos que combinassem o artesanato tradicional com toques criativos.
Fabergé procurava inspiração nas obras dos grandes mestres europeus. O Hermitage, o grande museu anexo ao Palácio de Inverno de São Petersburgo, abrigava tesouros das gerações anteriores de czares. Em 1867, o museu recebeu itens de joias antigas descobertas durante as escavações arqueológicas e precisava de alguém para consertá-las e avaliar seus materiais. Fabergé se ofereceu e trabalhou lá sem ser remunerado.
Em 1882, foi convidado a participar em uma exposição em Moscou, em virtude do trabalho que havia realizado no Museu Hermitage. Dentre as peças que ajudou a restaurar estavam joias gregas que datavam do século IV a.C., encontradas em Kerch, na costa do Mar Negro. Fabergé obteve permissão para copiá-las e incorporar a seus projetos, tornando-as o foco de sua exibição na exposição. Foi uma decisão inspirada. Fabergé pode mostrar a sua criatividade de joalheiro em uma tradição tão antiga que nenhum russo poderia deixar de ficar impressionado.
A revista Niva, que cobria o evento, destacou: O Sr Fabergé abre uma nova era na arte da joalheria. Sua Majestade honrou Fabergé comprando um par de abotoaduras com imagens de cigarras que, segundo a crença da Grécia Antiga trazem sorte.
Assim, Fabergé teve seu primeiro grande avanço - o reconhecimento da família imperial. Contudo, por um tempo, continuou sendo mais um entre tantos fornecedores da corte russa.
O tempo não para, muito menos a criatividade de Fabergé.
O conhecimento que Fabergé havia adquirido na Europa e no Hermitage foram inspiradores e decisivos em sua carreira. Sua determinação era fazer peças de joalheria que fossem muito mais do que a soma de suas partes. Ele queria elevar o design e o artesanato acima de meros materiais. Certa vez ele disse: coisas caras pouco me interessam se o valor for meramente o número de diamantes ou pérolas que o objeto possui.
Fabergé criou peças de joias que outros joalheiros não foram capazes. Seu talento, sensibilidade, criatividade, delicadeza, dedicação, esmero e paixão aliados às horas de estudo, pesquisa e muito trabalho elevaram Fabergé ao topo da excelência em joias.
Os Ovos e a Inspiração para as suas Criações. 
A célebre coleção de 52 Ovos Imperiais produzidas por Fabergé e seus excelentes ourives datam do final do século XIX e início do século XX. No início Fabergé e sua equipe não faziam ideia de que as suas criações se tornariam uma tradição na família imperial e seriam consideradas verdadeiras obras de arte.
Em 1885 o primeiro ovo foi criado para celebrar o 20º aniversário de casamento do czar Alexander III e sua esposa, a czarina Marie Feodorovna. Exteriormente parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo revelava-se uma gema de ouro que continha em seu interior uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial.
Diante do sucesso desse presente, o czar passou a encomendar um ovo por ano a Fabergé para presentear a sua esposa. O czar deu liberdade a Fabergé para o design dos ovos. A única recomendação era que o ovo deveria ser único e conter uma pequena surpresa.
Com grande criatividade e muito talento técnico, Fabergé superava, a cada ano, o desafio na criação das joias. O trabalho era tão minucioso que cada peça levava um ano ou mais para ser produzida por uma equipe formada pelos melhores artesãos da época, que trabalhavam em segredo.
O tema mudava todo ano. Fabergé buscava inspiração em fatos da própria família do czar (por conhecer as preferências de quem receberia a joia, Fabergé personalizava cada peça tornando os ovos ainda mais fascinantes e desejados), nas conquistas da dinastia Romanov e em eventos temáticos da história da própria Rússia. Não por acaso Fabergé se tornou o joalheiro do czar.
Os primeiros dez ovos produzidos foram presentes de Alexander III à sua esposa, Marie Feodorovna. Após a sua morte, seu filho o czar Nicholas II, continuou a tradição e passou a oferecer um ovo por ano à sua esposa, a czarina Alexandra Feodorovna e outro à sua mãe.
Três décadas de história por trás dessas joias que se encerrou com a abdicação do czar Nicholas II. Símbolos que brilharam em tempos de glória e se tornaram sobreviventes após o trágico destino de uma dinastia que desapareceu. Símbolos que ironicamente se tornaram a suprema arte da joalheria mundial. 
Onde estão os Ovos Fabergé hoje. 
Com o brutal assassinato do czar Nicholas II juntamente com a sua família, em 1918, os bens dos palácios Romanov foram confiscados pelos bolcheviques. Alguns ovos desapareceram durante os vários saques ocorridos nos palácios, mas a maioria dos ovos Fabergé, juntamente com as joias, ouro, prata e ícones imperiais foram inventariados, embalados em caixas e levados para o Arsenal do Kremlin, por ordem de Lênin que desejava preservar a herança cultural da Rússia e lá ficaram esquecidos.
Quando Stalin chegou ao poder esses tesouros foram descobertos e o legado imperial russo começou a ser vendido para apoiar o novo governo bolchevique e financiar seus planos econômicos. Mesmo correndo o risco de serem executados, alguns curadores do Kremlin esconderam muitas peças valiosas.
Da coleção dos ovos imperiais, seis continuam desaparecidos, alguns pertencem a colecionadores privados e outros exemplares podem ser admirados em museus na Rússia e nos Estados Unidos.
Os Ovos Fabergé, o fascínio e a disputa pelos colecionadores
Muito mais do que apenas símbolos de luxo e opulência os famosos ovos de Páscoa Imperial são obras-primas de valor inestimável e disputados por colecionadores em todo o mundo.
Admirados pela perfeição e considerados expoentes da arte joalheira, o fascínio despertado pelos ovos Fabergé deve-se à sua raridade, exclusividade, confecção artesanal impecável e primorosa e preciosidade dos materiais com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas aliados a perfeição e a beleza exuberante de cada joia que escondiam surpresas e miniaturas, além de toda história e mistério no entorno dessas peças.
Os ovos Fabergé são a perfeita combinação de todos esses atributos e elementos, não para menos que o seu valor chega a dezenas de milhões de dólares. O Winter Egg, confeccionado em 1913, é um dos ovos mais caros produzidos por Fabergé. Feito de cristal finíssimo e com mais de 3000 diamantes, ficava em uma base que parecia gelo derretido. Sua surpresa era uma cesta de platina com flores feitas de quartzo branco, ouro, jade e outros materiais preciosos. Em 2002, o Winter Egg foi vendido pela casa de leilões Christie´s em Nova York por US$ 9,6 milhões (cerca de R$ 19 milhões). 
A Casa Fabergé hoje
Após o assassinato da família Romanov, a Casa de Fabergé foi nacionalizada pelos bolcheviques e seus bens confiscados. Temendo pela segurança da sua família Fabergé fugiu para a Suíça. Todo o seu mundo desabou e dois anos depois, o coração do maior joalheiro que a história conheceu, parou.
Em 1951 a família perdeu o direito de produzir e comercializar peças com o nome Fabergé, recuperando esse direito apenas em 2007. A marca foi relançada em 2009 sob o comando de Tatiana e Sarah Fabergé, bisnetas do joelheiro. Hoje está presente em Londres, Nova York, Dubai e Hong Kong e representada na França, Alemanha e Itália.
As joias atuais são inspiradas nas antigas criações do joalheiro e muitas delas incluem detalhes em formato oval, em referência ou reverência às obras de arte que escreveram o nome Fabergé para sempre na história mundial da alta joalheria.
Peter Carl Fabergé, a lenda em seu próprio tempo
A única maneira de fazer algo grandioso é ter paixão pelo que faz. Isi Golfetto
O trabalho de Fabergé sempre despertou fascínio. Apesar de ter sido considerado, por vários críticos, como o joalheiro de um regime decadente e autocrático, hoje Fabergé é reconhecido por seus estudos adicionais nos campos da história e influência artística. Seu lugar na história da arte é o de um artista-joalheiro excepcionalmente criativo, com notável habilidade empreendedora.
Fabergé era o artesão supremo de sua época, quem sabe de todas as épocas. Como designer mestre da corte imperial russa, ele criou obras de arte requintadas. Obras-primas tão raras e engenhosas em seu design que sua fama se espalhou pelo mundo. Peter Carl Fabergé se tornou uma lenda em seu próprio tempo.
Abraço especial
Isi
*Acessando o link você vai encontrar um PDF com dados referentes a cada peça: o nome do ovo como catalogado em inglês, a data que foi produzido, o seu atual proprietário e abaixo a descrição do material.
*Texto escrito / traduzido / adaptado por Isi Golfetto
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