A única maneira de fazer algo grandioso é ter paixão pelo que faz. Isi Golfetto

Fabergé e os Ovos de Páscoa Imperial
Isi Golfetto
Mais conhecido por sua coleção de Ovos de Páscoa Imperial, criados exclusivamente para os últimos czares russos, Fabergé alcançou o ápice da excelência com essas joias nas décadas douradas entre 1885 e 1917. Uma extraordinária história de obras-primas que sobreviveram ao catastrófico fim de uma dinastia.
Quando mentes brilhantes, paixão e talentos se unem...
espere por uma obra-prima!
Primor, beleza, exuberância, luxo, glamour, ostentação… estes adjetivos figuram entre os usados quando o objetivo é tentar descrever os magníficos Ovos de Páscoa Fabergé.
Quando estudava a História da Arte, na faculdade, a professora solicitou que eu apresentasse um seminário sobre a coleção de Ovos de Páscoa criada por Peter Carl Fabergé. Um tema que apreciei pois teria a oportunidade de aprofundar o meu conhecimento sobre essas joias.
À medida que eu pesquisava sobre o assunto descobria a sua riqueza e ficava encantada com o design de cada peça, os detalhes, as cores, o material utilizado. Tanto talento e criatividade despertou em mim o interesse em conhecer mais sobre o criador e idealizador por trás dessas obras-primas, saber onde Fabergé encontrava inspiração para as suas criações, como foi a sua trajetória até chegar a corte imperial, onde os Ovos Fabergé estariam hoje, qual a razão dessas joias estarem entre as mais caras do mundo e disputadas pelos maiores colecionadores.
Assim, o que era para ser uma apresentação em classe, se tornou uma Mostra Cultural na faculdade, com o slogan: Ovos de Páscoa Fabergé... Muito Mais Que Uma Joia... Muito Melhor Que Chocolate! A exposição dos Ovos dos Czares foram exibidas em 52 painéis similar ao apresentado nesse PDF.
Sem dúvida, não há como descrever a beleza dessas joias e a história que as motivou em algumas frases, muito menos falar sobre tanto talento em poucas palavras. A proposta é resgatar um pouco da história da Dinastia Romanov em 52 episódios através das 52 obras de arte e apreciar o legado cultural deixado por Fabergé para a humanidade que, até hoje, encantam o mundo.
A Tradição dos Ovos de Páscoa
A Páscoa era uma data muito especial no calendário da Igreja Ortodoxa Russa. Todos se cumprimentavam com 3 beijinhos, recordavam a ressurreição de Cristo e se presenteavam com ovos que simbolizavam uma nova vida que surgia e o renascer da esperança.
Os ovos trocados pelas pessoas do povo eram ovos de galinha decorados. Já os ovos que os membros da família real e os nobres da corte se presenteavam eram feitos de ouro, prata, decorados com esmalte e pedras preciosas.
Até que o czar Alexandre III conheceu o talentoso joalheiro Fabergé e decidiu inovar.
Quem foi Fabergé
Peter Carl Fabergé foi um joalheiro russo de origem franco-dinamarquesa. Nasceu em 18/05/1846, em São Petersburgo. Filho de Gustav Fabergé, aos 24 anos, herdou o negócio de joias que seu pai havia estabelecido em São Petersburgo, em 1842.
Fabergé foi um dos maiores joalheiros de todos os tempos. Ficou famoso pela extraordinária qualidade e beleza de seus trabalhos, em especial pelos exuberantes Ovos de Páscoa Imperial recheados de lindas e delicadas surpresas. Ganhou reputação internacional, sendo altamente reverenciado por colecionadores em todo o mundo.
Sua Preparação Profissional
Fabergé estudou nas melhores escolas de São Petersburgo e passava longas horas na oficina aprendendo os fundamentos da fabricação de joias com o funcionário sênior de seu pai, o mestre finlandês Hiskias Pendin.
Mais tarde, teve a oportunidade de ampliar e aprimorar seus conhecimentos na Inglaterra, França, Alemanha e Itália. Visitou joalherias desses países, adquiriu novas técnicas e aprendeu a desenvolver projetos que combinassem o artesanato tradicional com toques criativos.
Fabergé, também, buscava inspiração nas obras dos grandes mestres europeus. O Hermitage, o grande museu anexo ao Palácio de Inverno de São Petersburgo, abrigava tesouros das gerações anteriores de czares. Em 1867, o museu recebeu itens de joias antigas descobertas durante as escavações arqueológicas e precisava de alguém para consertá-las e avaliar seus materiais. Fabergé se ofereceu e trabalhou lá sem ser remunerado.
Em 1882, foi convidado a participar em uma exposição em Moscou, por causa de seu trabalho no Museu Hermitage. Dentre as peças que ajudou a restaurar estavam joias gregas que datavam do século IV a.C. encontradas em Kerch, na costa do Mar Negro. Fabergé obteve permissão para copiá-las e incorporar a seus projetos, tornando-as o foco em sua exposição. Foi uma decisão inspirada. Fabergé pode mostrar a sua criatividade de joalheiro em uma tradição antiga, que nenhum russo poderia deixar de ficar impressionado.
Um artigo da revista Niva, sobre o evento, mencionou com entusiasmo: O Sr Fabergé abre uma nova era na arte da joalheria. Entre muitos elogios ao talentoso joalheiro, fecha o artigo com a frase de ouro: a Sua Majestade honrou Fabergé comprando um par de abotoaduras com imagens de cigarras que, segundo a crença da Grécia Antiga, trazem sorte.
Assim, Fabergé teve seu primeiro grande avanço - o reconhecimento da família imperial. Contudo, por um tempo, continuou sendo mais um entre tantos fornecedores da corte russa.
O tempo não para, muito menos a criatividade de Fabergé. O conhecimento que Fabergé adquiriu na Europa e no Hermitage foram decisivos em sua carreira. Sua determinação era fazer peças de joalheria que fossem muito mais do que a soma de suas partes. Ele queria elevar o design e o artesanato acima de meros materiais. Certa vez ele disse: coisas caras pouco me interessam se o valor for meramente o número de diamantes ou pérolas que o objeto possui.
Fabergé criou peças de joias que outros joalheiros não foram capazes. Seu talento, habilidade, sensibilidade, criatividade, dedicação, esmero, paixão, aliados às horas de estudo, pesquisa e muito trabalho elevaram Fabergé ao topo da excelência em joias.
Os Ovos e a Inspiração para as suas Criações. *Acesse o link e conheça os Ovos Imperiais.
A célebre coleção de 52 Ovos produzidas por Fabergé e seus excelentes ourives datam do final do século XIX e início do século XX. No início Fabergé e sua equipe não faziam ideia que as suas criações se tornariam uma tradição na família imperial e seriam consideradas verdadeiras obras de arte. 
Em 1885 o primeiro ovo foi criado para celebrar o 20º aniversário de casamento do czar Alexandre III e sua esposa, a czarina Maria Feodorovna. Exteriormente parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo surgia uma gema de ouro contendo uma galinha, que, ao ser aberta continha uma outra bela surpresa - um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Diante do sucesso desse presente, o czar passou a encomendar um ovo por ano a Fabergé para presentear a sua esposa. 
O czar deu liberdade a Fabergé para o design dos ovos. A única recomendação era que o ovo deveria ser único e conter uma pequena surpresa.
Com grande criatividade e muito talento técnico, Fabergé superava, a cada ano, o desafio na criação das joias. Buscava inspiração em fatos da própria família do czar - dando toques pessoais ao objeto por conhecer o caráter pessoal e as preferências de quem iria receber, tornando os ovos ainda mais fascinantes, e em eventos temáticos da história da própria Rússia. Não por acaso Fabergé se tornou o joalheiro do czar.
Os primeiros dez ovos produzidos foram presentes de Alexandre III à sua esposa, Maria Feodorovna. Após a sua morte seu filho, o czar Nicolau II, continuou a tradição e passou a oferecer um ovo por ano à sua esposa, Alexandra Feodorovna e outro à sua mãe.
Três décadas de história por trás dessas joias que se encerrou com a abdicação do czar Nicolau II. Símbolos que brilharam em tempos de glória e se tornaram sobreviventes após o trágico destino de uma dinastia que desapareceu. Símbolos que, ironicamente, se tornaram a suprema arte da joalheria mundial.
Com o brutal assassinato do czar Nicolau II e sua família, em 1918, oito ovos da coleção continuam desaparecidos.
Os Ovos Fabergé e a disputa pelos colecionadores
Muito do fascínio despertado pelos Ovos Fabergé e disputados por colecionadores em todo o mundo se deve a sua raridade e exclusividade, adicionados a sua confecção primorosa e artesanal, a preciosidade dos materiais utilizados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas aliados a perfeição e a beleza exuberante do design de cada joia, e, sem dúvida pela história e mistério no entorno dessas peças.
Os Ovos Fabergé são a perfeita combinação de todos esses atributos e elementos, não para menos que o seu valor chega a dezenas de milhões de dólares.
A Casa Fabergé hoje
Depois da Revolução Russa, em 1917 a Casa de Fabergé foi nacionalizada pelos bolcheviques. Temendo pela segurança da sua família Fabergé fugiu para a Suíça, onde faleceu em 24/09/1920 na cidade de Lausanne.
Em 2009 a família Fabergé recuperou o direito de utilizar seu nome comercialmente. A marca foi relançada  sob o comando de duas bisnetas de Fabergé. Hoje está presente em Londres, Nova York, Dubai e Hong Kong e representada na França, Alemanha e Itália.
As joias atuais são inspiradas nas antigas criações do joalheiro e muitas delas incluem detalhes em formato oval, em referência ou reverência às obras de arte que escreveram o nome Fabergé para sempre na história mundial da alta joalheria.
Vídeo - Ovos Fabergé. Conheça a beleza dos Ovos Fabergé e se encante com as suas surpresas!
Sempre inspirador compartilhar a história de pessoas que amam o que fazem e fazem o que amam.
Abraço especial
Isi
*Acessando o link você vai encontrar um PDF com dados referentes a cada peça: o nome do ovo como catalogado em inglês, a data que foi produzido, o seu atual proprietário, a descrição do material usado na produção e a surpresa contida em cada joia.
*Texto escrito, traduzido / adaptado por Isi Golfetto.
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